MITO: Autismo e as Vacinas

16/08/2017

No dia 26 de fevereiro de 1998 iniciou-se um mito que ecoa até os dias de hoje, quase 20 anos depois: a da ligação do autismo com algumas vacinas. Na data, o médico Andrew Wakefield apresentou uma pesquisa preliminar, que foi publicada na revista Lancet – uma importante revista científica, descrevendo 12 crianças que desenvolveram TEA – Transtorno de Espectro Autista. O estudo afirmava que, em comum, as crianças apresentavam vestígios do vírus do sarampo no corpo.

 

O médico e seus colegas levantaram a possibilidade de um "vínculo causal" do TEA com a vacina MMR (utilizada contra sarampo, rubéola e caxumba), que teria sido aplicada em 11 das 12 crianças estudadas.

 

Na hipótese levantada, as vacinas causariam problemas gastrointestinais, ocasionando inflamações no cérebro e, talvez, ao TEA. Tal suposição causou um grande alvoroço na sociedade, fazendo com que os índices de vacinação com a MMR caíssem drasticamente no mundo todo.

 

Nos anos seguintes, a polêmica chegou aos Estados Unidos. Por lá, o vínculo com o autismo foi realizado com o timerosal, um componente de função bactericida que está presente em algumas vacinas.

 

Derrubar tais teorias não foi fácil. Foram necessários anos de análises e debates para descartar qualquer possibilidade de vínculo.

 

Somente em 2004, seis anos depois, o Instituto de Medicina dos Estados Unidos concluiu que não havia provas de que o autismo tivesse relação com o timerosal. Tal conclusão foi reforçada com os exemplos da Dinamarca – que retirou o timerosal das vacinas em 1992 e mesmo assim teve um número crescente de crianças com TEA – e da Califórnia – que também retirou o componente por volta dos anos 2000 -.

 

Ainda em 2004, descobriu-se que o médico Wakefield havia realizado um pedido de patente para uma vacina que concorreria com a MMR. O pedido foi feito antes da publicação na revista Lancet, caracterizando um claro conflito de interesses.

Mais tarde, um dos médicos que auxiliou Wakefield veio a público afirmar que não havia o vírus do sarampo em nenhuma das crianças e que ignorar esta informação foi uma forma de não prejudicar o estudo.

 

No ano de 2010, o Conselho Geral de Medicina do Reino Unido classificou Wakefield como "inapto para o exercício da profissão", qualificando seu comportamento como "irresponsável", "antiético" e "enganoso". A revista Lancet, mediante a pressão, se retratou do estudo publicado afirmando que suas conclusões eram "totalmente falsas".

 

 

 

 

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