"Eles enxergam meu filho além do autismo", diz mãe sobre inclusão

13/11/2017

Ana Paula tem os vídeos com cada progresso do filho guardado. O que pode ser uma cena corriqueira para alguns é uma baita vitória para ela e Juan, 9 anos, que tem autismo. A cada avanço dele, a cada demonstrativo de interação, Juan é aplaudido pelos coleguinhas de turma.

 

“Geralmente ele fica na dele. Quando ele faz algo, a turma comemora. E ele gosta. Ele percebe que ele fez algo bom”, conta a funcionária pública Ana Paula Fialho Silva, 36 anos, mãe de Juan Felipe Fchuína, 9 anos, que autismo do tipo mais grave.

“Eles (equipe pedagógica) tiveram o olhar de mantê-lo na mesma turma”, diz Ana Paula.

 

Por lei, a inclusão nas escolas é garantida a todos os alunos, não só a matrícula, mas na inclusão de fato, como prevê a Lei Brasileira de Inclusão. Isso, porém, não acontece na prática, com algumas exceções.

 

O caso de Juan é uma dessas exceções. Ele estuda no quarto ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Ceciliano Abel de Almeida, em Vitória. Antes dali, ele tinha iniciado os estudos no Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) Neucy da Silva Braga, também em Vitória. Em ambas as escolas, a experiência de mãe e filho foi positiva.

 

“Isso porque eles enxergam o meu filho para além do autismo. Elas (professoras) deram amor ao meu filho”, justifica Ana Paula.

 

“As escolas têm muita dificuldade de receber (alunos com necessidades específicas). Mas eu não tenho do que reclamar”, diz Ana Paula.

 

“Eles tiveram um olhar diferente. Não forçaram a entrar na sala de aula. Deixaram-no ir se acostumando com o espaço. Foram dois anos se acostumando. E foram vendo o potencial dele. Hoje ele escreve. É fantástico. É um guerreiro”, conta Ana.

 

 

 

 

Adaptação

Entre os professores de Juan está Alba Camporez, especializada em deficiência intelectual. Ela é uma das responsáveis pelo sucesso no desenvolvimento de Juan.

 

“O primeiro passar é identificar e explorar as potencialidades. No caso do Juan, percebi uma potencialidade em linguagem, mais especificamente em inglês”, relata Alba.

 

Feita a identificação das habilidades e dificuldades do aluno, é montado um plano de trabalho, bem individualizado, para o estudante.

 

 

Reconhecimento

Ana Paula morava na Espanha, onde o Juan nasceu. “Eu não tinha percebido que meu filho tinha autismo. Minha família aqui no Brasil percebia que ele era diferente pelas fotos. Quando cheguei, pensaram que ele era surdo”, relata.

 

A psicopedagoga Maria José Cerutti, mestre em Educação, explica que autistas têm dificuldades de comunicação oral e afetiva. “Usam gestos repetitivos, movimentos com as mãos, gostam sempre dos mesmos brinquedos, não gostam de barulho, de agitação. Algo desorganizado pode desencadear uma crise, uma irritação muito grande”, exemplifica a psicopedagoga.

 

Apesar de ter o autismo no grau mais grave, Juan só foi reconhecido como tal no Cmei, que aconselhou a mãe a levá-lo ao médico. “Os médicos na Espanha diziam que não era nada, que era exagero de mãe”, diz.

 

“Quando perceber algo diferente, não se apavore. Não é uma doença, é um transtorno de comportamento. Então quanto mais cedo identificar, maior a probabilidade de levar uma vida normal”, diz Maria José Cerutti.

 

 

TRATAMENTO DE AUTISTA VARIA PARA CADA CASO

 

Reconhecer a criança autista como um ser humano com demandas e habilidades bem próprias é fundamental para estimular seu desenvolvimento e lhe dar mais chances de seguir uma vida adulta considerada normal.

 

“Cada caso é um caso. Um não é como o outro. O autista precisa de intervenção multidisciplinar. Temos crianças que não falam, temos crianças que falam várias línguas. Do que eles gostam, eles gostam muito”, explica Pollyana Paraguassu, presidente da Associação dos Amigos dos Autistas do Espírito Santo (Amaes).

 

 

Matéria publicada originalmente na Gazeta Online.

 

 

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